Ir. Janete Silva

Música:Um jeito de respirar o que há de mais verdadeiro em mim

Com a música em si desde que a vida é vida, Irmã Janete Silva transpõe por meio deste dom que seu Amado lhe conferiu, a musicalidade, suas orações e sua missão profética e servidora no mundo.

 

Nascida em Governador Valadares (Minas Gerais), de família católica foi iniciada à vida Cristã ainda na infância. Assim como a devoção, a música veio de berço. “A música é alguma coisa que me conecta com minha origem. Cresci ouvindo música, vendo meu pai cantar e tocar com os amigos em roda de viola”, conta a religiosa.

 

E em meio às orações do Santo Terço cantadas pela mãe e suas primas, e os eventos e celebrações familiares repletos de música, iniciou suas atividades no coral de crianças da paróquia. “Adorava ir aos ensaios de sábado à tarde e me realizava quando a música era animada e a gente podia balançar o corpo e estalar os dedos. Muitas vezes me emocionei com lágrimas nos olhos, quando a música era uma meditação. Lembro-me de quantas vezes chorei ao cantar: "vou fechar os meus olhos, vou olhar com meu coração, e segue”, relembra. E assim seguiu crescendo e cantando.

A vida como religiosa

Hoje, Irmã Janete Silva pertence à Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Castres. E essa história começou quando conheceu as Irmãs Azuis, como são chamadas carinhosamente, pela cor do hábito que usaram do século XIX até final dos anos 70, por meio dos encontros de jovens que aconteciam em sua paróquia.

 

Após uma palestra sobre vocação ministrada pela Ir. Glória Voltolini, guardou um santinho da fundadora da congregação que recebeu de presente, porém seu pensamento na época era de que nunca viraria freira. Guardou aquela lembrança dentro de uma bíblia, misturada com diversas outros santinhos.

 

Mas, diferentemente do presentinho quieto guardado na Bíblia, seu coração só se inquietava. “Fazia coisas que gostava, saía com minhas irmãs para festas, com o grupo de jovens, atuava na comunidade, amava meu ambiente familiar, mas era como se aquilo não fosse suficiente para me fazer feliz”, relata.

 

As irmãs vieram morar em sua paróquia e num dia, estando no centro de formação para encontro de jovens, saiu da sala de palestras para respirar um pouco, porque estava cansada e, ao sair, viu Irmã Ana Célia se dirigindo ao carro com uma mochila e uma camiseta da catequese. “Olhei para ela, que não estava me vendo e pensei: se ela vive como nós, no meio de nós e é missionária, é isso que eu quero ser. A partir daquele momento eu tirei um peso das costas e respirei aliviada”. Conta Ir. Janete.

 

 

A partir daí, foi um longo caminho de luta e aceitação dela e de sua família, para vencer as distâncias geográficas e entender os novos caminhos que seriam trilhados. Atualmente, vive sua missão junto à comunidade de irmãs, trabalhando na educação, na formação de lideranças juvenis e evangelizando também por meio da música.